Laboratório de Criação e Investigação da Cena contemporânea

coordenação e pesquisa
Martha Ribeiro
(IACS-UFF)

colaboração e pesquisa
Carolina Virgüez

 

O Laboratório de Criação e Investigação da Cena Contemporânea é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Estudos Contemporâneos das Artes (PPGCA), ao Curso de Artes, ambos da UFF, e ao CNPQ.

O LCICC se constitui enquanto um território livre de criação, reflexão e de expressão artística, absorvendo alunos de mestrado, graduação, professores e profissionais da área.

Unindo de forma dialética prática e teoria, propomos um espaço criativo que privilegie o esgarçamento dos campos visuais, corporais e sonoros, tendo na experimentação cênica o alicerce para o desenvolvimento de novas perspectivas éticas e poéticas para a composição da cena teatral.

O LCICC é uma plataforma híbrida entre a academia e o mercado produtivo teatral, que aposta numa visão integrada entre aprendizado e criação artística, investindo em:
-Pesquisa cênica,
-Treinamento dos atores/performers,
-Desenvolvimento e produção de espetáculos teatrais experimentais.

 

A PESQUISA

O LCICC, através de seus projetos de pesquisa cênicos, “Pirandello Contemporâneo” (2009-2015) e “Retratos e paisagens como dispositivos de cena” (2015-atual), investiga os processos identitários e de acesso ao real pela via da ficção, na fricção de elementos ficcionais e biográficos dos artistas envolvidos.

A pesquisa que desenvolvo hoje no LCICC, “Retratos e paisagens como dispositivos de cena”, tem no movimento e no gesto corporal, na dramaturgia física ótico-sonora e na cena autobiográfica suas bases de investigação e de reflexão crítica sobre as artes da cena e sobre o sujeito contemporâneo.

Privilegiando na composição dos espetáculos temáticas/perguntas sobre o Real, Memória, Identidade, Amor, Morte, Representatividade, buscamos as rupturas, as contaminações, as fissuras da linguagem para a configuração de uma cena narrativa, fragmentada e dialética. Busca-se em cada espetáculo desenvolver uma poética sem hierarquia, uma paisagem que faça do ator um engenheiro da expropriação de si mesmo e que estimule o espectador para o processo de reflexão dialética sobre sua imersão no mundo.

Os espetáculos do LCICC são marcados pelo hibridismo, pela intertextualidade canibal e pelo fragmento sintético, num franco diálogo com os mortos.

Nossas reflexões sobre o sujeito contemporâneo, seu estar no mundo, mais especificamente do sujeito posto em situação de representação, nos coloca em confronto com as realidades deste mundo. Os fluxos, uma espécie de “dança às avessas” (movimentos corporais-afetivos não textuais) criados em cada espetáculo realizado, aponta de forma crítica a sociedade contemporânea e seus nós: produtividade/ redes socais/ velocidade /pós-verdade/liquidez/pornografia/consumo/agenciamentos. Mas tudo isso para dizer: “Como é possível, num mundo desses, ter-se alguma esperança?” E o teatro, a ficção, a fantasia, vem nos atravessar com sua potência, abrindo sobre nossas cabeças um novo céu azul, de papel, mas mais real que o cinza cotidiano do mundo, pois o teatro é essencialmente território da utopia.

 

O TREINAMENTO

O LCICC desenvolve métodos de treinamento para o ator/performer abrir seus canais afetivos e empáticos, tornando-os conscientes de seus gestos e das estruturas de suas emoções. Os exercícios que desenvolvo são propostos para o ator trabalhar seus movimentos internos, ativando a respiração, o ritmo e sua dinâmica própria, singular. Não trabalhamos com a ideia de personagem, e sim com as potências de cada ator envolvido no processo, propiciando condições efetivas para o desenvolvimento da imaginação e da espontaneidade pela via do autoconhecimento.

Através dos exercícios ou fluxos, conforme denominamos as cenas-movimento que partem do desenho dos corpos no espaço, obtém-se uma metodologia para o aprendizado da arte do ator, desvinculada de uma formalidade acadêmica tradicional e mais afim a um dispositivo de aprendizado pela via da experiência prática. Um processo metodológico que compreende o ensino da arte do ator na prática cênica enquanto uma paisagem movente e heterogênea, não estática, que se constrói na relação processual com a criação do espetáculo cênico, em uma dupla investigação: a criação estética do espetáculo e os próprios processos criativos gerados para a investigação desta estética, na percepção dos fluxos – dinâmicas, linhas e intensidades – enquanto método de atualização dos corpos.

 

ESPETÁCULOS

Eu sou eu porque Meu cachorrinho me Conhece
2017-2018      Teatro Popular Oscar Niemeyer; Cidade das Artes; Teatro Glauce Rocha; Teatro da UFF
realiza-se no cruzamento de diferentes mídias, recebendo inspiração na dança contemporânea, no teatro, na performance, nas artes visuais e nas artes do vídeo, criando uma dramaturgia ótico-sonora que não se quer linear, que nos interroga sobre a problemática do desaparecimento da identidade no mundo contemporâneo, ou, no melhor dos casos, em sua fluidez, e no sentido da arte hoje. Estreou no Teatro Popular Oscar Niemeyer, seguindo temporada na Cidade das Artes e no Teatro Glauce Rocha. Em agosto retorna à Niterói em curta temporada no Teatro da UFF.

Serata Futurista, ou de como as palavras são cheias de ar
2015      Teatro Popular Oscar Niemeyer e Parque das Ruínas
Direção e Dramaturgia de Martha Ribeiro, a partir do uso livre de textos futuristas de Marinetti, poemas de Maiakovski e Walt Whitman, o mito de Fedra, das cartas da prisão de Oscar Wilde, Cantos de Camões à Inês de Castro e fragmentos do despertar da primavera de Wedekind ocupando os seguintes teatros: Teatro Popular Oscar Niemeyer e Teatro Parque das Ruínas.

Mas, Afinal, quantos somos nós?

2014-2015      Teatro Popular Oscar Niemeyer, Teatro da UFF
peça/filme/paisagem construída na intervenção/fricção do “Homem da flor na boca” e “A saída”; ambas de Luigi Pirandello, com Direção e Dramaturgia de Martha Ribeiro. O espetáculo ficou em cartaz nos dois melhores teatros da Cidade de Niterói, o Teatro Popular Oscar Niemeyer e o Teatro da UFF; recebendo o convite para participar da mostra Slomvaz Festival no 13º Quadrienal de Praga (2015).(http://www.zlomvaz.cz/2015/en/program/).

 

ATUALMENTE

Em 2018 começamos uma nova residência, na cidade do Rio de Janeiro, e contamos com o apoio fundamental da FUNARTE na cessão de espaço para ensaios e apresentações dos espetáculos desenvolvidos. Contamos também com o apoio do Benfeitoria para que possamos ampliar nossa rede de colaboradores, entusiastas do teatro independente e de pesquisa, para manter este espaço de criação e utopia.

O espetáculo Amor(N)recomendado em fase de criação, investiga os processos identitários e de acesso ao real pela via da ficção, na fricção de elementos ficcionais e biográficos dos artistas envolvidos. Propomos uma vertiginosa simultaneidade de ações, sonoras, corpóreas, poéticas e visuais, desterritorializando e canibalizando corpos, identidades e biografias. Busca-se combinações em movimento que “peguem” o espectador-testemunha no exato instante de sua incompreensão e libertação do sentido.

https://www.facebook.com/labcriacaocenacontemporanea/


para saber mais

LCICC – Teatro Laboratório
Pirandello Contemporâneo

 

 

 

 


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